Um pouco de tudo, tudo sobre um pouco... citações êrmas, logica vaga, sempre de accôrdo com a grammatica do desvio. Não percaes as secções Pensamentos Incompletos e As Adjacências Vitais - A Blog-novela (por Daniel Zandonadi)
26.11.06
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5.11.04
NUBIA SE VAE
E Nubia, onde está ella?
Foi-se Nubia pra perto do raso das aguas
Pedir a Mar-ia que a levasse, então, embora
P'ro baptismo de sal
E Nubia assim se foi mesmo
Deram-lhe de vez a passagem
Alguém lha deu de vespera
Caiu o bilhete da janela
E Nubia o pegou, aberta:
Violou-o destarte
Nada azêdo nem fosco
Lá estava escripto
Mas as palavras dansam
Pediu soccorro,
Palavras maldictas
Suffocaram sua voz
Deus a queria
fora dali,
que se fôra
Alma torta
Lampada morta
Deus disse:
-- Vae-te, Nubia,
Não tens luz
Busca
Deus notou
Dúvida atroz,
Empurrou-a
O mar chama
pois Nubia
não.
E dahi
o mar
a
pagou.
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19.10.04
L'AMITIÉ
(lettra: Jean-Max Rivière; musica: Gérar Bourgeois, 1965)
Interpreta: Françoise Hardy
Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre
Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs coeurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse
Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon coeur à ton bois
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A AMIZADE
Muitos de meus amigos vieram das nuvens
Com sol e chuva como unica bagagem
Fizeram da estação das amizades sinceras
A mais bella estação das quatro da Terra
Têm essa doçura das mais bellas paisagens
E a fidelidade das aves migratorias
Em seus corações está gravada uma infinita ternura
Mas ás vezes de seus olhos escapa a tristeza
Então êlles vêm se aquecer na minha casa
E tu também virás
Poderás voltar ao mais profundo das nuvens
E de novo sorrir a muitos outros rostos
Dar ao teu redor um pouco da tua ternura
Quando outro quiser esconder de ti sua tristeza
Como não sabemos o que a vida nos prepara
Talvez aconteça de eu nunca mais ser alguém
Se me restar um amigo que de verdade me comprehenda
Esquecerei assim as minhas lagrymas e minha dor
Então quiçá eu vá á tua casa
Aquecer meu coração na tua lenha
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7.10.04
CHULA NO TERREIRO
(Elomar)
Elomar escreve sobre a vida ella mesma e por ella mesma. Resgata da vida catingueira o modus vivendi e, por extensão, o modus cantandi adquirido da forte influencia iberica quando da fusão de Portugal e Espanha (séc. XVII) e d'ahi em diante. N'esta canção, fala da pêrda de pessoas queridas e das caracteristicas de cada uma que o faz sentir sodade.
Por causa da origem d'êste cantar e de sua thematica, optei aqui por graphar a letra do dialecto sertanez da mesma maneira em que o portuguez era escrito n'essa epoca, ou seja, repleto de influencias espanholas que foram, posteriormente, abolidas. Podem-se ver exemplos d'esta influencia nas cartas escriptas aos governantes e nobreza imperial durante as expedições ás Indias, China, Indochina, Japão e ilhas do Pacifico. Não é coincidencia que o termo chula seja empregado para uma forma musical acompanhada de dansa tanto no Nordeste quanto no Sul do Brazil e também no Norte de Portugal.
N. B. a canção está disponivel logo abaixo da lettra da mesma em formato Real Player. Tão logo seja carregada a pagina, podeis clicar no botão correspondente á reproducção do arquivo no painel que lá se vos aparecerá.
Mays cadê meus cumpañêro, cadê?
Que cantava aqui mays eu, cadê?
Na calçada no terrêro, cadê?
Cadê os cumpañêros meus, cadê?
Cahiro na lapa do mundo, cadê?
Lapa do mundão de Deus, cadê?
Mays tiña um que dexô o que era seu
Pra i currê o trecho no chão de Sum Paulo
Num durô um ano o cumpañêro se perdeu
Cabô se atrapayano cõ a lua no céu
Num certo dia num fiñ de labuta
Pelas Ave Maria chegô o fiñ da luta:
Foy quano ia atravessano a rua,
Parô, iscuspiu no chão poys s'ispantô cõ a lua
Ficô dibaxo das roda dos carro
Pur riba dos iscarro oyano pra lua,
Ay sodade
Naquela hora, na porta do rãcho
Ela tãbeñ viu a lua pur trays dos garrãcho no céu
Pertô o caçulo cõtra o peyto seu
O coração deu um pulo, os peyto istremeceu
Soltô um gimido fundo, as vista iscureceu
Valei-me Siñô meu Deus apoys eu vi Reymundo nas porta do céu
Ay sodade
Mays tiña um que só quiria que a vida fosse
Ûa função noyte y dia, que a vida fosse
Regada cun galiña, viñ, quêjo y doce
Soñano a vida assiñ arriscô memo señ posse
Dexano a vida ruyñ intão se arritirô-se
Levô-lle um ridimuiñ y a festa se acabô-se
Ay sodade
Mays tiña um que só vivia pra dá risada
Quano ele aparicia, a turma na calçada
Dizia: "evéñ Fulô, Fulô das Aligria"
Covêro da tristeza y das dôri maguada
Pegava a viola y riscava ûa tuada
Ispantava a tristeza, ispayava a zuada, ay
Lovava os cumpañêro nûa buniteza
Que aos pôco pro terrero voltava a tristeza...
Esse malunga de alma manêra
Tãbeñ tiña nos peyto a febre perdedêra
Se paxonô pru'a moça num dia de fêra
Norano que a mucama já era cumpañêra
De um valentão de fama y acabadô de fêra.
O cujo quano sôbe vêy feyto ûa fera
Poys tiña fama de nobe y de qualquer manêra
Calô c'ûa puñalada a ave cantadêra...
Covêro da tristeza y das dôri maguada
Morreu -- cuma me dóy! -- de ûa moda mangada
C'ûa lágrima nos óy y na boca ûa risada
Ay sodade
E mays cadê aquele vaquêro Antenôro
Cõ seu burro trechêro, seu gibão de côro
Esse era um cantadô dos beñ adeferente
Cantano sem viola alegrava a gente;
No ano passado, na derradêra inchente
O Gavião danado urrava valente
Ay sodade
Chegô intão ûa bôyada do norte
Os dono y os vaquêro arriscaro a sorte
Y o risultado dessa travissia
Foy um sucesso triste, Virge Ave Maria!
O risultado da bramura foy
Que o riy levô os vaquêro, o dono, os burro y os bôy
Ay sodade
Derna de intão Antenôro sumiu...
Os muyto que aqui passa jura que já viu
Na Carantoña, na serra incantada
pelas hora medoña vaga ûa boyada
Um treñ siguino um vaquêro canôro
A tuada y o rõpante júrão é de Antenôro:
"Ah-ãá, ê bôy! Ê bôy lá, ê bôy lá!"
Glossário
ûa, c'ûa, nûa = uma, com uma, numa
pelas Ave Maria = por volta das 18h, hora do Angelus
levô-lle um ridimuiñ = levou-lhe um redemoinho (afogou-se)
fulô = flor
malunga (-o) = companheiro
febre perdedêra = tendencia inexoravel á paixão
norano = ignorando
nobe = nobre (arrogante, orgulhoso)
de uma moda mangada = traiçoeiramente
o Gavião = o rio Gavião
riy = rio
bramura = ventura
derna = desde
pelas hora medoña = perto da meia-noite
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 11:13:19 PM
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13.8.04
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
(em mazurka undecasyllaba) - Outro
[a mazurka é uma dansa em rhythmo ternario cujo tempo forte é o segundo; no poema, o tempo forte estará sublinhado na syllaba correspondente]
N. B. São syllabas da metrica poetica e não grammaticaes
... por tudo o que roça a minha existencia
-- Os livros, as flôres, as fôlhas que se abrem
Por entre a selva e as pernas que habito
Delirios de verso, solsticio do affecto
As cousas que falam da propria angustia
Não deixam em paz minha alma nocturna --
Miasmas gentis, primaveras sombrias:
São tão impossiveis que nunca os desejo
Taes paginas sôltas, sem prologo natas,
Dão voltas em tôrno de si, transparentes;
O eixo que as torna congruentes, no entanto,
Fermenta êste céu que há em mim todo dia...
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 11:42:31 PM
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4.6.04
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
(em mazurka undecasyllaba)
[a mazurka é uma dansa em rhythmo ternario cujo tempo forte é o segundo; no poema, o tempo forte estará sublinhado na syllaba correspondente]
N. B. São syllabas da metrica poetica e não grammaticaes
... pois soube que a vida não é passageira --
Lembrando, esquecendo, ficando sozinho:
Armou-se de vida, de morte e de pena
E foi com seu manto p'ra cima do vento.
O vento esbarrava em todas as fôlhas
Seu manto sem côr não guardou sua alma;
Olhou para o chão e, ao se ver pendurado,
Rezou mais um têrço por êste momento.
De têrço em têrço a vida desbota
A morte, contudo, se mostra bonita
O rhythmo ternario banniu sua pena
E trouxe, sem pressa, um pouco de alento.
. . .
(podeis ouvir aqui Kaval Sviri -- Le Mystère des Voix Bulgares, que illustra êste poema)
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 10:44:58 AM
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22.5.04
Si delectamini pomis, gerite curam radicium.
(Se vos deleitais com os frutos, cuidai das raízes).
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 4:18:00 PM
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17.5.04
Hoje não é dia de pensamentos incompletos, ou melhor, não é dia de registrá-los. Outrossim, um pensamento incompleto se me occorreu horas atrás e obrigou-me vehementemente a exprimir a todos vós o cerne do mesmo.
TRISTEZA
(Irmãos Núñez)
No me reclame, niño,
si lo abandono:
que peleo a la vida
por usted, tesoro.
No me reclame, niño,
si me demoro.
¡Ay, que camino
tan desparejo:
la angustia cerca
y mi niño lejos!
No me pregunte, niño,
por qué mi llanto.
¿Que he de hacer si la vida
me reclama tanto?
Duerma no más su sueño
que yo lo tapo.
¡Ay, que camino
tan desparejo:
la angustia cerca
y mi niño lejos!
Solcito de domingo
pégale fuerte,
que saldré con mi niño
a juntar caricias.
Me vestiré de madre
con sus sonrisas.
¡Ay, que camino
tan desparejo:
la angustia cerca
y mi niño lejos!
(Não me reclame, menino / se o abandonno / porque luto com a vida / por você, thesouro / Não me reclame, menino, / se me demoro // Ai, que caminho / tão desigual / a angustia perto / e meu menino longe! // Não me pergunte, menino, / por que o meu pranto. / Que hei de fazer se a vida / me reclama tanto? / Só durma o seu somno / que eu te cubro. // Ai, que caminho / tão desigual / a angustia perto / e meu menino longe! // Solzinho de domingo / pegue-o com força / que sairei com meu menino / a juntar caricias. / Vestir-me-ei de mãe / com seus sorrisos! // Ai que caminho / tão desigual / a angustia perto / e meu menino longe.)
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 4:44:12 PM
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16.2.04
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
... sem qualquer piedade: percebera tarde demais que orações não bastam para que se aquietem
sonhos apocalypticos. Minh'alma, por isso, depois de velar
inùtilmente seu involucro, pôs-se a tentar uma reconnexão
satisfactoria.
Assim que acordei, contudo, desci as escadas
do predio enquanto lia algumas das correspondencias, soletrando os degraus sem pressa até o portão.
Eis que me explicitava perigosamente aos algozes matreiros do dia, mais vulneravel agora pelo bombardeio de photons cujas frequencias meus radares tentavam deciphrar.
Encontrava outros generaes em campanha com seus diarios e gazetas em mãos, procurando bons lugares
para definirem suas estrategias. Via os battalhões se locomovendo, massacrando as calçadas com seus tennis sujos e violentando as fachadas, sujando de sangue suas carteiras e as mãos dos caixas dos mercados.
Os omnibus carregam inclementes
todos os soldados e victimas que, por vezes, reclamam do preço das passagens ou da demora nos pontos-casamatas. Já dentro dos vehiculos, outros tentam debalde admoestá-los á possibilidade de não retornarem. Tentam vender-lhes, por isso, doces e outras cousas que lhes possam abrandar qualquer soffrimento imminente.
Fugindo de alguns franco-atiradores, dirigi-me até a feira próxima
-- gosto de feiras pois é onde escondem-se sobreviventes. Meu pae
assim mo disse quando eu tinha menos culpa: êlle mesmo era official do exercito de libertação. Fui passando reticente de banca em banca, olhando de soslaio o sorriso dos que exhibiam orgulhosos seus refens libertados...
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 11:56:38 PM
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8.11.03
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
Taedet animam meam vitae meae
dimittam aduersum me eloquium meum,
loquar in amaritudine animae meae.
Dicam Deo: noli me condemnare:
indica mihi cur me ita iudices.
Numquid bonum tibi uidetur,
si calumnieris me et opprimas me,
opus manuum tuarum,
et consilium impiorum adiures?
Numquid oculi carnei tibi sunt:
aut sicut uidet homo, et tu uidebis?
Numquid sicut dies hominis dies tui,
et anni tui sicut humana sunt tempora,
ut quaeras iniquitatem meam,
et peccatum meum scruteris?
Et scias quia nihil impium facerim,
cum sit nemo qui de manu tua possit eruere.
Já que tenho tédio à vida
falarei claro, apesar do risco
e externarei a amargura de minh'alma.
Direi a Deus: não me condemnes,
mas mostra-me por que me julgas assim.
Accaso achas que é certo degradar-me
e opprimir-me,
eu que sou obra de Tuas mãos,
e favorecer os desígnios dos ímpios?
Accaso são Teus olhos humanos?
vês, ao menos, como vêem os homens?
Accaso é Tua vida como a dos homens,
Teus annos passam como no tempo dos homens,
para que devas procurar em mim as faltas
e examinar meus peccados?
-- e sabes que não fiz nada de mau
e que ninguém pode me livrar de Tua mão.
(Jó 10:1,7)
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 8:48:32 PM
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22.10.03
AS ADJACÊNCIAS VITAIS
blog-novela em x capítulos
CAPÍTULO n+2, donde n+y=x
No capítulo anterior, Saragurinha e Jaimunda acabam de cruzar com o caminhão onde trabalham Sodomito e Calupto; Calupto pára o pesado em frente a sua casa enquanto Sodomito vê, em seus devaneios, a imagem de sua amada.
Saragurinha passa saltitante pelos portões do colégio juntamente com Jaimunda que, apesar de trazer alegria estampada no semblante e pulsante no coração por ver seu amado Calupto, traz n'alma a preocupação quanto ao seu estado de saúde genética.
Os momentos em que vira Sodomito ficaram projetados mentalmente em Saragurinha: ficara tão excitada ao vê-lo de surpresa minutos antes que mal podia conter-se. Sua mente, porém, parecia fazer-lhe truques quando tentava refazer a cena em que sorrira para seu amado pois não era bem sucedida ao tentar refazer mentalmente as feições do belo rosto de Sodomito. Mas contentava-se com as vezes em que conseguia.
Passando pelo grande corredor central do prédio onde estudavam, Saragurinha avista Rimenaldo,
irmão querido de Sodomito. Saragurinha se detém por um momento e observa-o passar perto dela. Ela lhe sorri e ele a cumprimenta com um gesto. Rimenaldo é tido quase como um garoto prodígio pela sua inteligência e pela brilhante capacidade de resolver problemas: era destaque em Filosofia, Física e Genética I. Rimenaldo ajudava a todos com os inteliquadros e outras questões técnicas menores. Era, por tudo isso, muito bem quisto entre professores, colegas e familiares: era aluno exemplar, um amigo para todas as horas e, claro, o orgulho de Cantinflas e Dominicéia.
Toca a sirene e todos entram para as salas de aula. Rimenaldo cumprimenta seu professor e senta-se. Conecta seu inteliquadro à rede e deixa-o de prontidão para escrever, anotar e receber informações pertinentes à aula. Assim que todos se sentam, o professor cumprimenta a turma:
-- Bom dia, classe!
A classe o cumprimenta de volta animadamente:
-- Bom dia, professor Tibúrcio!
Ele se volta para seu inteliquadro e acessa os arquivos necessários para a aula. Os arquivos estão em ordem crescente de grau de conhecimento e são enviados para os inteliquadros dos alunos à medida em que respondem questões relâmpago sobre o arquivo anterior, de modo a personalizar o processo de conhecimento. O arquivo seguinte é escolhido por um programa desenvolvido pelo próprio professor de modo que os alunos criam sua própria ordem de aprendizagem, enfatizando os assuntos que mais lhe agradam: o programa é sensível a cada resposta e a ordem e o conteúdo da aula em arquivos é moldado pelo grau de interesse de cada aluno pelos assuntos apresentados.
-- Muito bem, classe; continuando o assunto anterior, alguém pode me explicar o que é o Animaliferador?
Os alunos hesitantes balbuciam entre si a resposta. Rimenaldo, no entanto, diz firmemente:
-- É um ente biocibernético auto-regulado que gera todos os códigos genéticos das pessoas.
-- Sim, muito bem!, exclama o professor. E continua:
-- E por que dizemos que ele é biocibernético e auto-regulado?
Um silencio toma conta da classe por alguns segundos, e Rimenaldo, vendo que ninguém é capaz de responder, responde tranqüilamente a questão:
-- Biocibernético porque é, ao mesmo tempo, um ser vivo e um computador; auto-regulado porque tem sua própria fonte independente de energia e sabe direcioná-la com o objetivo de manter sua integridade física e informacional.
-- Muito bem, Rimenaldo!!
Enquanto isso, em outra classe mais adiantada, Saragurinha está em devaneios mas, por coincidência, o assunto também é Nife:
-- Então, agora sabemos que Nife foi concebido a partir dos sobreviventes à Catástrofe. Todos sabem que estes sobreviventes habitavam o que hoje se chama Zona Neutra: nela as conseqüências da Catástrofe foram menos insidiosas e as pessoas conseguiram lá sobreviver aos eventos. Como a Catástrofe atingiu todos os habitantes do globo -- olhem para cá! -- desde aqui até aqui
fazendo com que as condições de sobrevivência no planeta mudassem substancial e abruptamente, os cientistas tiveram que reprogramar geneticamente as plantas para que sobrevivessem às mudanças e, assim, puderam continuar se alimentando e, também, alimentar seus descendentes.
Os alunos parecem interessados na explicação e o professor continua:
-- Para essa modificação foi primeiro criado Gife, o Vegetaliferador, e , posteriormente, Nife, o Animaliferador. Por meio de Gife todas as plantas tiveram suas estruturas modificadas e puderam ser readaptadas às novas condições. Vendo que os experimentos tiveram bons resultados, Nife foi concebido e criado, e, através dele, os animais tiveram suas estruturas geneticamente reprogramadas de modo a readaptá-los e servir para nossa alimentação.
Um colega de Saragurinha se mostra mais adiantado e fica curioso com a informação que se lhe apresentou em seu inteliquadro:
-- Professor, o que foi a Fusão?
O professor responde satisfeito:
-- Nife, na sua concepção primária, já pôde mostrar muito da sua inteligência e superou em muito a soma das capacidades mentais dos cientistas que o criaram. Nife, então, requisitou aos cientistas que seu organismo se fundisse ao de Gife para que, como um só, pudessem continuar a sua tarefa. Esse fato foi comprovado quando Nife, depois da Fusão, conseguiu fazer toda a reprogramação genética da raça humana e, a partir dela, pudemos habitar novamente as outras partes do planeta além da restrita Zona Neutra.
Saragurinha é despertada de seu devaneio
com o bipe emitido por seu inteliquadro assim que foi atualizado com o próximo assunto. Assustou-se a princípio pois percebeu aí que perdera toda a explicação. No entanto tinha a segurança de ter cientistas na família: as irmãs de sua mãe, as três tias solteironas Isnara, Zuleima e Edelacira. Sabia que as três estariam passando pela cidade durante a viagem que faziam todos os anos rumo ao Sul onde a Festivália acontece todos os anos -- nos outros lugares a Festivália só acontecia bienalmente. Eram muito festeiras, gostavam muito de farrear, contar piadas sujas, dançar a linvira e beber muita cerveja de wilson. A última vez em que as vira foi durante uma Festivália... dançaram tanta linvira, pareciam três jacksons da floresta!
Saragurinha e Jaimunda saem juntas da sala quando toca a sirene anunciando o intervalo. Jaimunda desabafa:
-- Sará, não agüento esperar. Depois desta aula sobre Nife e programação genética, sinto que minha angústia só acaba quando eu for até a conselheira genética da escola...
-- Jai, se fosse comigo eu já teria ido: eu sei que não há de ser nada, não sei por que você não pensa o mesmo!
Jaimunda concorda e se sente um pouco mais aliviada:
-- É, você tem razão, não adianta nada eu ficar me preocupando. Tenho que ir ainda hoje vê-la e acabar logo com essa dúvida.
Saragurinha faz um gesto positivo com a cabeça e fica contente por ter melhorado o estado de ânimo da amiga.
Enquanto isso, na casa de Saragurinha, Cantinflas escuta uma conversa animada de Dominicéia falando no telecom:
-- Ai, que bom! E a que horas vocês chegam?
Cantinflas pára sua leitura e vai até ela, que parece estar muito feliz:
-- Claro que não incomodam! Nós sempre esperamos vocês nesta época do ano!
Cantinflas percebeu que se tratava da visita anual de suas cunhadas solteironas. Pousa o largo inteliquadro doméstico sobre a mesa e se dirige à cozinha.
Dominicéia chega em seguida e exclama:
-- As meninas estão chegando!
Cantinflas dá um sorriso irônico e comenta:
-- Domi, se elas são meninas você é o que?, um feto?
Ela, no entanto, não se deixa irritar pela ironia do marido e pede-lhe para que prepare o prato preferido delas:
-- Ah, querido, faz aquele risoto de alice com ervas antigas que só você sabe preparar...
Cantinflas pega rapidamente os utensílios que precisará para o preparo do prato enquanto responde-lhe ainda mais ironicamente:
-- Você acha que uma xícara assim de cianureto dá?
Tamanha zombaria de sua parte é, no entanto, inteiramente chistosa já que tem por suas cunhadas um profundo respeito. Sabendo disso, Dominicéia emite apenas um muxoxo entre tantos sorrisos e põe-se a arrumar a casa. Da sala, comenta com o marido:
-- Ai, a Saragurinha vai adorar saber que suas tias estarão aqui por esses dias!
Cantinflas aproveita e acrescenta;
-- É sim, e também é bom pra elas ensinarem um pouco de Genética pra ela porque as notas dela têm vindo abaixo da média! É você mesma quem diz: "na idade de Saragurinha, as três já faziam seus experimentos científicos na Escola de Genética!"
Nesse momento, Saragurinha chega da escola e vai até a cozinha. Cumprimenta o pai com um beijo estalado:
-- Oi pai! Cadê a mamãe?
Nesse momento escuta sua mãe cantarolando enquanto arruma o quarto de hóspedes. Seu pai só a olha e retruca:
-- Onde você acha?
Saragurinha abre imediatamente um amplo sorriso, já adivinhando o motivo da cantoria da mãe, e sai em disparada ao encontro dela:
-- Mamãe, mamãe!! A que horas elas chegam?
Dá em sua mãe um abraço apertado que quase a imobiliza em seus afazeres, e esta resmunga sorrindo:
-- Sará! Chega! Me deixa trabalhar! O quarto tem que estar arrumado porque elas já estão quase chegando! Elas estão indo para o Sul, para a Festivália.
-- Eu imaginei, mamãe! Eu sei que elas não perdem uma Festivália! Eu me lembro de quando elas se fantasiaram de neutrícolas!
Adoro quando elas mostram fotos de Festiválias passadas, quando elas eram novas... elas eram lindas! Tem uma em que aparecem fantasiadas de estátuas antigas!
Elas são muito divertidas!
Saragurinha vai até seu quarto levando o telecom consigo, larga seus inteliquadros sobre a cama e tecla com avidez o aparelho enquanto fecha a porta.
-- Alô, é da McKallor? Gostaria de falar com Sodomito, por favor.
Saragurinha espera a telefonista localizar seu amado na seção de Preparação Criogênica
enquanto se debruça abruptamente na cama, pondo-se a balançar impacientemente suas pernas no ar. Sodomito chega ao terminal onde está a telefonista e percebe que seu chefe está ao lado.
Uma voz máscula e firme atende o telecom do outro lado:
-- Pronto, é Sodomito falando.
-- Oiii! Tudo bom? Liguei por dois motivos.
Sodomito finge se tratar de um assunto profissional pois seu chefe está perto:
-- Ahn, sim senhor Veneraldo, pode falar.
Saragurinha percebe a falta de privacidade em que se encontra Sodomito ao telecom:
-- Eu sei, teu chefe deve estar aí... O primeiro motivo é que estava com saudades e o segunto, que devo me atrasar hoje porque minhas tias se hospedarão lá em casa. Talvez não dê pra nos vermos quando você sair do trabalho.
Sodomito fica tenso com a situação e responde-lhe:
-- Er, tudo bem, ahn, verificarei a disponibilidade dos componentes o quanto antes. Espero novo telefonema do senhor para informar-lhe quando poderei fazer a entrega.
Saragurinha conclui o telefonema adiando o encontro para mais tarde:
-- Isso, Sodô, assim que eu puder sair te ligo e marcamos onde nos encontrar, está bem? Um beijo!
Sodomito quase não conseguindo mais fingir:
-- Outro para o senhor, passar bem.
O chefe estranha a frase final de Sodomito e este, nervoso, tenta explicar-lhe:
-- Ele é um amigo de infância do meu pai...
Sodomito sente seu coração palpitar como o de um zacarias das estepes... Nunca sentira por ninguém o que sente por Saragurinha; chega a colocar até a confiança que seu chefe tem em seu serviço só para ouvir a voz maviosa de sua amada.
Jaimunda acaba de sair do aconselhamento genético com uma lista de exames que deverá fazer. Ela sabe o destino de todos os que têm defeitos genéticos graves. Chegando em casa, liga para Saragurinha:
-- Amiga, eu tenho que fazer um monte de exames... Tenho que ir ao ReproGen! Nunca tive de ir lá! A última vez que estive no ReproGen foi quando meus pais me tiveram!
Saragurinha fica penalizada com a situação da amiga e tenta confortá-la mais uma vez:
-- Ai amiga, de vez em quando somos aconselhados a ir ao ReproGen... Você não lembra quando a Rúmia teve que ir? Ela também precisou fazer um monte de exames e tal, e no fim das contas ela não tinha nada!
As lágrimas escorrem pela face de Jaimunda,
molhando a área do telecom que fica perto da boca:
-- Sará, eu sinto minhas costas inchadas também, bem aqui atrás dos ombros, nas escápulas... o que será isso?
Saragurinha fica consternada e não sabe mais o que aconselhar:
-- Amiga, eu vou hoje ver o Sodomito mas antes passo aí pra te ver, está bem assim? Fica tranqüila que tudo vai dar certo.
Enquanto isso ouve a campainha tocar:
-- São minhas tias! Jai, eu tenho que desligar agora mas me espera que chego aí mais tarde. Um beijo, até mais! E fica tranqüila!
-- Um beijo, amiga, obrigada, vou tentar ficar mais calma. Te espero!
Saragurinha olha pela janela de seu quarto e vê suas tias estacionando o carro. Troca rapidamente a blusa do uniforme e vai correndo até a porta da frente. No caminho encontra sua mãe e grita-lhe:
-- Mamãe, são elas!
As duas correm em direção à porta da frente e escutam as vozes das três do lado de fora. Cantinflas vem logo atrás em passos não tão ligeiros. Ambas se olham felizes e abrem a porta. Lá estão elas em seus trajes da Região Norte; as cinco se entreolham e as irmãs exclamam escandalosamente:
-- Tchã-raaaaaam!

# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 8:55:51 PM
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10.10.03
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
... sem minhas galochas.... Sair da selva e deitar-se à beira de um riacho... entrei no meu Café favorito e jurei a mim mesmo não querer o mesmo pra mais ninguém -- qual outro pagão pode comungar desses pormenores tão meus depois de severamente santificados por mim? Não quero mais ninguém mesmo, quero que não reste nada de mim por aqui. Quero ir ao médico um dia e dizer: "doutor, vim aqui porque não tenho nada"...

# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 2:13:57 AM
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Mea culpa II
Prometo por Nife divulgar o capítulo da blog-novela desta semmana. Por motivos pessoaes, o meu canalizador psychico, o sr. Zandonadi, esteve sobremaneira assoberbado pelas suas circumstancias quotidianas e não foi-lhe possível deixar-me escrever.
Não percais o vindouro capítulo em breve!
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 1:53:58 AM
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Mea culpa
Desculpai-me se eu vos mantenho absortos ao lerdes os escritos de Pensamentos Incompletos. A incompletude é o que mantém a irriquietude da alma humana. Os pensamentos são incompletos, como tudo o mais.
E ademais, estou ciente do que as frases incompletas podem causar ao int
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 1:49:25 AM
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7.10.03
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
... sem pensar. Abençoou todos com quem falava pelo caminho, esperando, um dia, poder convertê-los
. Era assim que fazia todos os dias, o louvor mudo nas padarias, o batismo sansônico das barbearias
e a doutrina de Pio X aplicada às bancas de jornal -- as melhores bíblias são as mais baratas,
todos sabem.
Mesmo assim, todas as vezes que ia ao Café
, por hábito ou por auto-piedade, algo passava pela sua mente funâmbula
: um pensamento fuliginoso que germina ao passar pelos portões daquele harém do paladar. Uma mitologia indescritível rege esses lugares meio bordéis, meio catedrais, cheio de putas
e de putras
.
Sorvia aquele líquido negro enquanto via seu reflexo
na grande xícara de café. Algo, porém, passou a perturbar a ação eucarística que o tornava mais humano a cada dia.
Tocando seus lábios os lábios refletidos
, absorvia todo o amargor daquele cálice enquanto rogava por mais um dia em si mesmo. E desde então não ouvia resposta: seu beijo não transmutava mais sua alma em perfume de flor antiga.
Tudo culpa daquele beijo que vira, tão diferente do que dava cotidianamente no tal harém onde se encontrava consigo mesmo: era lá que, vendo sua miséria beijá-lo com tanta acrimônia, jurava à imagem beijada tirá-la de vez daquela vida infeliz e prostituta -- quando compartilharia com ela sua parte menos telúrica... 
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 12:13:01 AM
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2.10.03
AS ADJACÊNCIAS VITAIS
blog-novela em x capítulos
CAPÍTULO n+1, donde n+y=x
No capítulo anterior, Sodomito se recolhe aos seus aposentos com uma foto de Saragurinha que tirou de seu recado no telecom.
Dominicéia, mãe de Sodomito, volta da cozinha onde encontrou seu filho em devaneios com a foto de Saragurinha em suas mãos. Preocupada, vai até a sala e encontra Litóvão, seu esposo, decifrando as instruções da abelha de controle remoto que Rimenaldo ganhara de seu irmão naquela noite. Rimenaldo é um menino muito inteligente, aprendeu a operar seus inteliquadros sozinho, passando a ensinar a todos os seus colegas na escola. Insistindo muito com seu pai, consegue reaver o controle remoto do inseto artificial, juntamente com o manual de instruções: está muito contente por ganhar algo que causará inveja e admiração junto a seus amigos.
Litóvão percebe a perturbação n'alma de sua esposa, aborda-a e abraça-a gentilmente, como fazem os osvaldos nas copas das grandes árvores:
-- O que te preocupa, minha querida?
-- É o Sodô... Você já percebeu como anda distante, sonhando acordado pelos cantos? Fiquei sabendo que foi repreendido no trabalho por estar desatento. Parece que hoje descobri a causa. Por Nife!! Tenho até medo de te falar...
-- Diga logo, mulher!
-- Ele está enamorado... antes fosse por qualquer outra garota da sua idade fenotípica, mas o destino tão cruel o colocou diante de ninguém menos que Saragurinha...!
Litóvão imediatamente faz uma boca torta, com ares de não ter a mínima idéia do que se trata:
-- E o que é que tem isso?
Dominicéia, com a boca trêmula e os olhos umedecidos pela angústia de ser a portadora de tal informação, olha bem nos olhos de Litóvão e diz baixinho:
-- Você não sabe quem é a Saragurinha, Lili? Ai, por Nife, ela é filha de Cantinflas e Girolana...
Litóvão fica prostrado por alguns segundos, contudo abre um enorme sorriso depois disso e entre risadas tenta consolar Dominicéia:
-- ahHahaHAH! Ah, Domi, você não sabe como são os jovens? Já se esqueceu?... Isso é passageiro. Sodô é muito menino ainda, tem muito pela frente! Encontrará muitas outras garotas até achar aquela com quem se casará...! E terá muitos filhos a partir de então! A programação familiar que a genética proporciona hoje será ainda melhor no futuro!
Dominicéia, no entanto, não se põe menos preocupada e comenta:
-- É exatamente disso que eu estou falando, Lili: genética...
Você SABE o que Cantinflas e Girolana estavam fazendo no Reprogen vinte anos atrás, época em que tínhamos programado Sodomito.
Litóvão, com um ar bonachão que lhe era peculiar, insiste tranqüilamente:
-- Não é nada pra se preocupar, querida! Sodô é muito novo, é um rapaz muito bonito, muito sacudido, tem um futuro na empresa onde trabalha, o que não faltará são garotas atrás dele muitas ainda mais interessantes que essa tal Saragurinha!
Dominicéia se mostra menos aterrorizada mas mantém ainda, no firme semblante de uma formosa mulher madura, a preocupação de que algo de sério possa acontecer entre seu amado filho e aquela com quem seus genes não poderiam se encontrar.
No dia seguinte, Saragurinha acorda feliz e se encontra com a família na cozinha. Girolana está em pé fazendo o que Cantinflas mais gosta de comer pela manhã: omelete de ovos de olga com tiras defumadas de carne de anderson. Corre até sua mãe dando-lhe um beijo estalado, fazendo o mesmo depois com seu pai. Sua mãe lhe sorri e seu pai resmunga um pouco, limpando a bochecha onde Saragurinha dera um beijo molhado.
-- Bom dia!!!
Sua mãe olha para trás e pergunta-lhe o que gostaria de comer:
-- Minha filha, você quer omelete também ou preparo outra coisa pra você?
Saragurinha está apressada para ir ao colégio e não parece estar com fome:
-- Não quero nada, mamãe! Vou tomar um copo de leite só!
-- Então toma leite de milena porque alimenta mais, e deixa o leite de sérgio pra eu cozinhar...!
Saragurinha não parece escutar, põe leite no copo até a boca e o sorve rapidamente. Limpa a boca no avental de Girolana e se vai.
-- Tchau mãe, tchau pai! Até mais!
Vendo Saragurinha sair pelo corredor, grita:
-- Que isso, minha filha!!...
Seu pai só olha por cima dos ombros e brada:
-- Estuda direitinho, hein? Juízo! Volta DIRETO pra casa!
Do lado de fora da escola, a sorridente Saragurinha encontra-se com Jaimunda: ela está absorta ao perceber uma menina entrando na escola com trajes muito pouco convencionais.
O sorriso de Saragurinha se desmancha ao seguir o olhar de Jaimunda e passando a focalizar a triste menina. Saragurinha percebe que Jaimunda está preocupada com alguma coisa:
-- Que foi, Jai? É a garota? Tadinha... Por que ela está usando roupa isolante?
Jaimunda baixa os olhos e diz o que sabe sobre o caso:
-- Ah, Sará... sei que ela apareceu com um problema genético... Me parece que começou a crescer um terceiro pulmão nela...
Saragurinha, sempre irônica, comenta:
-- Melhor pra ela!
-- Você acha, Sará? Olha lá, ela está calafetada, sem contato direto com o mundo!...
A reação exagerado de Jaimunda em relação ao assunto desperta sua curiosidade:
-- O que foi, Jai? Por que você tá preocupada?
Jaimunda aponta para os cotovelos e os mostra a Saragurinha:
-- Notei ontem que meus cotovelos estão inchados... Passa só a mão. Tô com medo de ser algum problema genético... Você sabe que todos nós estamos sujeitos a isso... Você se lembra daquele menininho que teve o fenótipo adiantado de 3 para 70 anos de uma hora pra outra?
Saragurinha passa ligeiramente as mãos sobre os cotovelos da amiga e põe-se a animá-la:
-- Que isso, Jai!! O Animaliferador já estava numa versão adiantada quando fomos programadas, estamos livres de um monte de problemas!
-- É, mas olha a garotinha: o fenótipo dela é mais novo que o nosso e surgiu esse problema nela... Imagino o que pode nos afetar e nem sabemos... Não quero virar uma aberração genética!!
Procurando colocar um fim naquele assunto mórbido, Saragurinha a admoesta conclusiva porém animadoramente:
-- Então procura o Aconselhamento Genético da escola
e pára de ficar pensando besteira!
Retomam o passo em direção à escola. Ao atravessarem a rua em direção ao portão, as duas amigas têm uma bela surpresa: Sodomito e Calupto no caminhão da empresa lhes acenam de dentro da cabine.
As duas ficam tão estupefatas pela surpresa que são advertidas pelo guarda de trânsito para se moverem dali. Acenam em resposta aos gracejos dos dois mancebos e correm ao outro lado da rua onde está o portão da escola. Entram saracoteando enquanto o guarda as observa.
Dentro do caminhão de entrega, esperando a luz verde do sinal, Calupto puxa papo com Sodomito acerca de Saragurinha:
-- E aí? Tá apaixonado?
-- Olha, rapaz, acho que nunca senti por outra o que sinto por Sará... Não consigo parar de pensar nela nem um minuto!
-- É... quem diria? Sodomito apaixonado!! Você que nunca se importou com isso!
-- Não sei o que acontece, Calu. Desde a primeira vez que vi a Sará fiquei vidrado, isso nunca me aconteceu antes!
O sinal abre e Calupto arranca com o pesado. A conversa continua:
-- E você já conhece os pais dela?
Sodomito relembra o tratamento rude dispensado a ele durante a última ligação para Saragurinha, e responde:
-- Ah cara... o pai dela é durão... tô criando coragem ainda.
-- É normal, deve ser ciúme de pai: a Saragurinha é linda, ele deve ser o tipo de pai que quer o melhor para a filha, dá pra entender isso só de olhar como ela é sarada...!
-- Ô rapaz, você já tem a tua, olha a brincadeira errada...
Calupto sorri fazendo um sinal com a cabeça indicando que se tratava de uma brincadeira somente. Ao dobrar uma rua, Calupto pára o caminhão numa vaga, abre a porta e diz a Sodomito:
-- Vou dar um pulinho aqui na loja ao lado, deve ter chegado uma encomenda pra mim.
Enquanto Calupto está fora, Sodomito relembra a imagem de Saragurinha acenando para ele enquanto atravessava a rua, com um amplo sorriso em seu lindo rosto e um brilho intenso em seus olhos. Calupto abre a porta e adentra a cabine e a fecha com um arranque do veículo.
-- Calma, cara, que isso!, diz Sodomito assustado. Calupto está excitado com o pacote que trouxe:
-- Tenho que passar em casa rapidinho pra deixar isso aqui!
Sodomito pergunta sobre o conteúdo do pacote. Calupto lhe responde ainda excitado pela aquisição mas com ar receoso quanto à aprovação do amigo:
-- São os restos de unha que encomendei. Eu faço coleção de restos de unhas cortadas. Essas daqui são as mais raras que consegui comprar: são cacos de unhas de dedos mínimos de uma tribo suahili!
Eles só cortam essas unhas a cada cinco anos! Vale um dinheirão no mercado de fontes genéticas!
Sodomito faz um ar de reprovação mas não deixa Calupto perceber o quanto ficou enojado com o conteúdo do embrulho.
Enquanto estão se dirigindo à casa de Calupto, Sodomito fica repassando cada fração de segundo da visão de Saragurinha lhe acenando, como se já tivesse vivido aquela situação. Algumas vezes ele tenta se relembrar de todos os detalhes mas lhe foge o conteúdo do rosto de Saragurinha em sua mente, e tudo o que ele vê é o corpo perfeito de uma garota sem rosto passando e lhe sorrindo...
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 12:20:40 AM
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29.9.03
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
... e acabou. Tudo o mais que confessara a si mesmo minutos atrás tinha-se ido: dobrou o cruzamento e se foi.
Andando sem pressa mas com vontade, pisando a calçada com pés titânicos -- passos míticos e largos, tendo sempre as mãos nos bolsos,
escondendo-as do frio vindo do vento e dos olhares pedestres. Contava lá, um a um, seus inúmeros pecados em rosários pentâmeros, manipulava castanholas virtuais de angústia.
Enquanto cruzava uma rua,
suas preces pagãs cessaram ao ver aquele beijo: um casal; ela para o ônibus, ele para o rabo do tráfego; sob o teto efêmero daquele ponto, abraçavam-se, beijavam-se e ambos não viam mais nada. A menina tinha seu braço em riste
como se quisesse agarrar tudo o que estava em seus pensamentos naquele instante: dava sinal para o ônibus que levaria seu amado para outro lugar, deixando-a alhures...
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 11:01:04 PM
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24.9.03
Devo confessar-vos hoje minha adoração por tudo aquilo que me traz abismo... Posso ao menos tentar explicar-me quanto a essa sensação, às vezes arrebatadora, às vezes lenta e serenamente fluente, que é parte inerente de uma devoção pessoal a "conhece-te a ti mesmo".
O que não é a alma senão algo que nunca conhecemos por completo? Territórios vastíssimos, divididos entre planícies, oceanos, vales, serras, cordilheiras, riachos, bosques, penhascos, fiordes, desertos... E, movido cabalisticamente por um pulso daático, reconheço-me como um ente desejoso de consciência e imagino o território como infindável, quase infinito. Línguas, povos, sentimentos, imagens, formas, sons, sentidos novos... Subitamente, virando a esquina ou uma página de livro, pode-se sentir um deslocamento inesperado de seu cerne, uma mudança repentina no coeficiente de difração da luz captada por algum sentido sublime análogo à visão.
Inexplicavelmente sinto-me abalroado por um vértice de alguma dimensão intermediária. Já quase perdendo o equilíbrio, reconheço o mais fantástico elemento geográfico da alma: o abismo. Um acorde, uma frase, uma composição plástica, um ruído, qualquer coisa pode me trazer à beira deste abismo por algum motivo mágico e metafísico. Minh'alma se põe a remapear seus territórios de modo a comportar essa cratera. E, parado, estático em sua borda mas extático em meu espírito, vejo o abismo lentamente se clarear. Sinto um desdobramento em meu cerne e me ponho a andar pelas paredes desse abismo.
Percebo que o abismo, na alma, é só um chão ainda desconhecido para o qual não há um vetor previsível de gravidade.
Senti esse abismo quando escutei, pela primeira vez, música coral búlgara, cantada incrivelmente pelo coro da rádio estatal da Bulgária Le Mystère des Voix Bulgares (O Mistério das Vozes Búlgaras).
Que música era essa? O que essas mulheres conseguiam fazer em execução coral que parecia um planisfério digital se moldando a uma grade de alocação de memória RAM... Era como se as sereias tivessem podido ensinar sua música elemental às mulheres mais lindas do mundo...
Hoje encontrei uma página na interrede de um grupo que nasceu da vontade de executar os ritmos assimétricos e as melodias intrincadas e pouco usuais da música folclórica búlgara e eslava, usando seus elementos para arranjos originais de canções tradicionais ou simplesmente formando arranjos originais que deixam transparecer a complexidade musical dessas culturas. O KITKA é um coro americano que já lançou quatro CDs e faz apresentações pelo mundo todo.
Em seu sítio na interrede, se quiserdes, podereis ouvir um pouco do material gravado com maravilhosa música búlgara cantada por esse magnífico coro feminino.
Minha proposta é sempre a de encontrar esses abismos e vê-los como marcos de crescimento pessoal nas esferas intelectual, emocional e espiritual.
O abismo é um chão em que só se pode andar depois de uma dobradura da alma. Descobrir abismos é fazer origâmis no espírito...!
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 10:17:00 PM
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23.9.03
AS ADJACÊNCIAS VITAIS
blog-novela em x capítulos
CAPÍTULO n, donde n+y=x
No capítulo anterior, Saragurinha
está na escola e escuta a sirene. Na correria em direção ao portão, encontra Jaimunda com que troca beijos:
-- Jaimunda do céu, estava pensando o tempo todo hoje em você! Estava experimentando uma roupa térmica na confeitaria quando vi Calupto dirigindo o caminhão da McKalor! Não sabia que ele estava trabalhando como motorista!
-- Ah é, menina, ele foi promovido! Saiu da seção de abastecimento criogênico, graças a Nife!
-- Que bom, então! Estava doida pra te ver e te contar!
Entra em casa saltitante como sempre, jogando os inteliquadros no sofá. Cumprimenta seu pai, Cantinflas, que a olha de esguelha de onde está, voltando logo à sua leitura. Cantinflas descobriu a poucos dias atrás da paixão de Saragurinha por Sodomito e desde então a trata friamente. Saragurinha dá de ombros e se dirige à cozinha onde encontra sua mãe tirando a ração do esquentador.
-- Oi mamãe! Estou morrendo de fome!
Senta-se à mesa e indaga à sua mãe o motivo da recente mudança no tratamento de seu pai em relação a ela:
-- Mamãe, o papai está chateado com alguma coisa? É comigo?
Sua mãe, Girolana, responde-lhe tentando disfarçar:
-- Ah filha, você sabe, o papai é muito ocupado, com certeza é alguma coisa do serviço.
Saragurinha se satisfaz com a resposta e põe-se a comer.
-- Minha filha, pode pegar o refresco de jânio que está na geladeira.
Enquanto a filha está ocupada na cozinha, Girolana disfarça e vai até a sala, sentindo que Cantinflas quer-lhe falar.
-- Lana, não sei como me comportar! Como vou dizer a Saragurinha quem pode ser esse menino! Você sabe de quem ele é filho, não sabe?
Girolana, aflita, lança um olhar perdido para o tempômetro:
-- É claro que eu sei, Tim! Pelo Nife sagrado, você não acha que devemos contar-lhe sobre isso?
-- Ainda não, minha querida... Esperemos mais um pouco para ver no que dá esse interesse: torço veementemente para que isso não dê em nada.
Na vizinhança oposta, Sodomito
acaba de sair da McKallor, onde também trabalha Calupto, namorado de Jaimunda, e se dirige à Confeitaria Selene onde toma quotidianamente uma cerveja de wilson depois do expediente
. Seu amigo Fulípio chega de súbito e cumprimenta-o com um tapinha nas costas:
-- Grande Sodô! Como é que tá? Pelo jeito está bem... fiquei sabendo do sentimento que tá rolando aí entre você e a Sará! Pô, rapaz, se eu tivesse essa sorte... mas não: só pego bagulho! Eu pareço até lista de classificador de refugo genético!
-- Ô rapaz, sei não... Ela parece que tá arrastando a maior asa pra cima de mim, isso é verdade! Mas não tem nada certo, não. Vamos ver como fica a situação depois do fim de semana.
Fulípio se despede do amigo sorridente e se vai.
Sodomito paga a conta se vai logo depois. Chega em casa com um embrulho e encontra sua mãe, seu pai e seu irmão
brincando de Hospital Geral. Tinha sido seu aniversário mas Sodomito estava se encontrando com Saragurinha na porta da escola e, por isso, não compareceu à festinha.
-- Tudo bom, maninho? Pensou que eu tinha me esquecido do teu aniversário?
Sorri para o irmão e dá-lhe o embrulho. É uma linda abelha de controle remoto que Rimenaldo sempre sonhou.
-- Obrigado!!! Puxa-vida!
O menino não tem palavras para agradecer o gesto do irmão e põe-se imediatamente a operar controle remoto do inseto.
Encontra-se com sua mãe no corredor:
-- Sodô, tem um recado pra você no telecom.
Era uma mensagem de Saragurinha, dizendo-lhe que foi muito bom encontrá-lo na porta da escola e tomar sorvete de orlando enquanto passeavam pela alameda. Tomado pela emoção, resolve contactar Saragurinha, mas quem atende o telecom é Cantinflas, seu pai:
-- Oi seu Cantinflas! A Saragurinha está?
-- Não, ela saiu. -- e desliga abruptamente o telecom na cara de Sodomito. Intrigado pelo comportamento de Cantinflas, Sodomito imprime uma imagem de Saragurinha no telecom e a leva consigo para a cozinha onde pega um copo de leite de milena.
Sua mãe adentra e o vê à mesa:
-- Sodô, já não te falei que o leite de milena é pro teu irmão?!
Sodomito, no entanto, não esboça reação e mantém seu olhar perdido enquanto segura a foto de Saragurinha. Dominicéia, sua mãe, percebe o motivo do ensimesmamento de Sodomito e o deixa só com seus pensamentos.
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 9:38:22 PM
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22.9.03
Olá caríssimos leitores!
Desculpai-me pela demora em novas informações, mas estou às voltas ainda com a melhora da aparência gráfica do meu weblog. A propósito, é-me, ainda, estranha a situação de escritor de weblogs porque não sou antes um leitor nem mesmo mediano de weblogs. Se todos fossem como eu, weblogs não teriam razão de ser... Creio que isso deve mudar também, já que, uma vez interessado em tentar fazê-lo perfeitamente agradável para vós outros, por-me-ei a descobrir cousas e feitos novos em weblogs de outrem.
Estava pensando cá com meus microcircuitos: acho tão estranhos aqueles guias rápidos de soluções de problemas nos manuais de aparelhos eletro-eletrônicos. Observam-se três colunas em uma tabela: problema, descrição e solução do respectivo. O primeiro item da tabela é sempre: "o aparelho não acende a luz de POWER quando aperto LIGA", ou simplesmente "o aparelho não funciona". A recomendação é "verifique se o aparelho está conectado à rede elétrica". Puxa vida, será que as pessoas realmente não ligam seus aparelhos à tomada antes de apertar os botões pra ver se funciona??
Além do mais, quem quer que esteja dificultoso com o primeiro funcionamento de um aparelho eletro-eletrônico que acabou de ser comprado fica completamente insano: a última coisa que deverá procurar, depois de tanto tentar trespassar o primeiro passo para chegar à felicidade de vê-lo funcionar ainda que primariamente, é o guia de rápido para solução de problemas presente na última seção do seu manual do usuário!
A frustração do usuário (ou pelo menos aspirante a usuário) é aumentada quando ele se lembra da primeira vez em que colocou seus lindos olhinhos néscios sobre aquelas letras tão cuidadosamente impressas naquele livrinho: Manual do Usuário. Ele sente sinceramente que acabou de entrar para um seletíssimo grupo de pessoas que puderam gastar uma boa quantia de dinheiro para adquirir aquele bem que lhe trará, sem dúvidas, benefícios ímpares que facilitarão em muito sua pobre vida quotidiana... Só a presença física do tal Manual é a garantia física de que tudo dará certo para ele, de que ele será uma pessoa mais feliz e realizada. Imagino a humilhação quando o aspirante a usuário descobre que a fonte de seu assombroso descontentamento é o descuido pueril de não ter conectado o aparelho à corrente elétrica.
E, a partir daí, o que ele achou que seria tão somente o símbolo de sua conquista gloriosa -- um estandarte, a tomada da bandeira inimiga! -- passa a se transformar em seu guia e mestre no gerenciamento de sua pequena conquista mundana. E, ao chegar àquelas páginas finais onde se lê "Guia rápido de solução de problemas", ele se dá conta que ele não é um conquistador: é um conquistado...
PENSAMENTOS INCOMPLETOS
"Puta-merda, não sei onde eu tava com a cabeça de comprar um troço tão complicado de mexer: se eu não me lembrei nem de botar essa joça na tomada, não vou aprender nunca a botar ele pra gravar a novela!"

# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 2:58:45 AM
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18.9.03
Igne Natura Renouatur Integra...
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 11:45:27 PM
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Muito bem. Então é isso. As coisas se recusam a mudar de uma forma menos convencional. Andei pensando nisso... Será que a forma de mudar também muda? Se isso acontece, deve ser um processo tão lento que ninguém se dá conta, algo como de 10.000 em 10.000 anos...! Deve haver uma forma de modificar ainda que ligeiramente a maneira como as coisas mudam ou deveriam mudar. Se há algo que controla a maneira como as coisas mudam, como poderíamos reconhecê-lo?
Demasiadas palavras. Também andei pensando bastante sobre os capítulos de As Adjacências Vitais. Preparai-vos para receber a novela mais surrealista depois de "Saramandaia"!
Andei fazendo minhas perscrutações acerca da linguagem dita agateemeéle para tentar tornar meu template mais interessante. Confesso que é uma tarefa um tanto quanto inglória aprender este tipo de coisa sozinho!
PENSAMENTOS INCOMPLETOS:
Talvez o jeito que as coisas mudam seja diferente de acordo com o lugar... Ah, quando eu crescer quero ir pra Europa!

# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 11:32:49 PM
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Este é o meu primeiro post. Hoje não me sinto como se estivesse com toda a gana de escrever algum, mas o primeiro post se mostra tão imperativo e inquisidor... Talvez haja alguma coisa que se possa fazer para evitar esse sentimento, mas ainda não encontrei nada assim que estivesse disponível para venda! Há quem diga que ele é o mais importante... Que perversos estes que pensam assim!
As coisas poderiam mudar de uma maneira menos convencional, mas tenho certeza que há algo que impede isso.
Preparai-vos todos para as seções vindouras: PENSAMENTOS INCOMPLETOS e a blog-novela AS ADJACÊNCIAS VITAIS. Tentarei disponibilizá-las posteriormente para descarrego em uma página pessoal de mesmo nome. Aguardai!
Até lá, gostaria de aprender um pouco de agateemeéle para modular um pouco a máscara do presente blog. Modificações no visual estarão visíveis em breve, espero.
Posto agora e aqui uma foto minha para que possais conhecer um pouco mais sobre mim: 
# transmitido psychicamente por Abobran Yielkis @ 12:29:38 AM
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